| |
A internet é um meio de comunicação cada vez
mais presente em casa e no trabalho. Sua crescente utilização
modificou, de forma significativa, a maneira como as pessoas utilizam
as diferentes mídias. Em paralelo a este movimento, a indústria
de mídia impressa passa por uma grande transição,
sofrendo estagnação ou queda nas vendas de suas revistas
e jornais, e sentindo o efeito da diminuição do tempo que
os leitores dedicam às páginas impressas de seus veículos
de comunicação. Em contrapartida, o tempo gasto pelos leitores
com a mídia internet, assim como a venda de conteúdo pela
rede, vem crescendo de forma exponencial, na medida que o acesso a hardware
e banda larga vem se tornando possível às classes de menor
poder aquisitivo, em conjunto com interfaces melhores resolvidas nos
campos da identidade visual e usabilidade.
Os jornais e revistas da atualidade
se caracterizam por serem produtos com publicação de periodicidade
definida e com conteúdo jornalístico. Seus modelos econômicos
se sustentam em dois tipos principais de receita: o valor pago pelos
leitores para terem acesso ao conteúdo publicado - o mercado leitor
- e o valor pago pelos anunciantes para promoverem seus produtos e serviços
aos leitores da revista ou jornal através de anúncios impressos
- o mercado anunciante
O aumento da penetração da internet
a partir do final dos anos 90 trouxe novas oportunidades e desafios para
a indústria de mídia impressa. Os jornais e revistas dispõe
de um grande acervo de conteúdo que podem ser disponibilizados
com certa facilidade para serem acessados através da internet.
E ainda, aproveitando-se a mecânica de geração de
novos conteúdos - constituídos por suas redações
editoriais - é possível criar um fluxo contínuo
de conteúdo interessante para acesso on-line, somado à crescente
demanda publicitária em seus diversos formatos.
A construção
de um modelo de negócios que possibilite ao mercado de mídia
impressa recuperar o brilho através da conquista de um novo espaço
na internet é uma questão em voga que movimenta os bastidores
dessas empresas e, principalmente, como avaliar a real necessidade de
disponibilizar seus conteúdos e qual modelo estratégico
adotar, entendendo que não há competição
entre as duas mídias, e sim, que utilizando ferramentas de restrição
de acesso ao conteúdo do site de forma exclusiva aos assinantes
da revista impressa, a versão eletrônica tem o poder de
agregar valor e complementar a versão impressa do produto.
O caminho
de trabalhar comercialmente um pacote do produto ampliado, o seja, trabalhar
a venda do pacote "revista + site" é uma forma de agregar
valor à comercialização do produto impresso, constituíndo,
de um lado, uma forma de romper a estagnação na circulação
de revista e, de outro, fomentar estratégicamente esta nova mídia,
possibilitando um caminho de transição suficientemente
suave entre os dois canais de comunicação, vitais ao mercado
atual. Frente a estas questões, reposicionar o negócio
tradicional impresso para aumentar a utilização dos ativos
da empresa na internet, absorvendo parte do crescimento deste meio eletrônico,
deve ser encarado com coragem, e ancorado na realidade. Assim, compreender
a relação de lealdade que o leitor guarda com a versão
impressa e com a versão eletrônica de um veículo
de comunicação é um ponto importante e surge dela
a questão central: A construção da lealdade do leitor
com a versão eletrônica do produto impresso segue as mesmas
bases da construção da lealdade com a revista impressa?
Ponto para se pensar e conversamos no próximo artigo, até lá !
* Fernando Dias Martins é diretor executivo e Alessandro Nicolau é designer
da ContentStuff. |
|